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Música e Liturgia

“O canto e a música desempenham sua função de sinais de maneira tanto mais significativa por ‘estarem intimamente ligados à ação litúrgica’, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembléia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. Participam assim da finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis” ( CIC- 1157).

Não pretendo fazer aqui um tratado de liturgia, apenas darei algumas dicas sobre a postura do ministério de música em animações litúrgicas, especialmente nas celebrações Eucarísticas.

Na celebração Eucarística, o presidente é o sacerdote; portanto, antes de toda e qualquer celebração, converse com o sacerdote e exponha o que o ministério preparou em unidade com a equipe de liturgia.

Sei de toda a complexidade e até das diferentes interpretações sobre a liturgia que alguns padres dão; em todo caso, vale a máxima: “Quem obedece não peca”. Portanto, consulte o padre e obedeça-lhe.

 

Se você tiver conhecimento o bastante e abertura com o sacerdote, pode defender dua opinião; o diálogo nos faz crescer. Mas converse em outro momento, não poucos minutos antes do início da celebração.

Na missa, a música deve contribuir ara o engrandecimento e a profundidade dos momentos litúrgicos; por isso, cada música precisa se encaixar com momento certo e acompanhar os tempos litúrgicos.

Missa não é Show!

Não chame a atenção do povo para si ou para seu grupo musical. Na missa, Jesus é o centro.

Não desvie a atenção das pessoas com “caras e bocas” durante a interpretação de uma música, nem na execução de um solo instrumental.

Não converse durante a celebração, escolha antecipadamente as músicas e seu respectivos tons. Se houver extrema necessidade de algum diálogo, faça-o da forma mais discreta possível. Nada mais desagradável do que um ministério se entreolhando com ar desesperado, de “qual a próxima música?” ou “qual o tom?”.

Não use, durante a missa, roupas com cores fortes ou estampadas, a não ser que você seja convocado de surpresa e não tenha condições de se trocar.

Não use, de jeito nenhum, roupas sem mangas, decotadas, transparentes ou bermudas durante a celebração Eucarística.

Escolha os cânticos de acordo com as leituras e tempo litúrgico. Não se pode cantar os Hits, a não ser que se encaixem com o tema da celebração.

Peça aos músicos que toquem de forma harmônica e com um volume que favoreça a oração. Já vi muitas vezes sacerdotes e ate bispos serem “martirizados” pelo alto volume dos instrumentos, inclusive da bateria, montados a menos de um metro de seus ouvidos, em palcos pequenos.

Não use a harmonia mais complicada que vocês sabe tocar. Nas celebrações, precisamos ajudar o povo a rezar as canções. Acordes muito dissonantes não são os mais indicados nessas ocasiões. Cuidado para não fazer das missas uma “Válvula de escape”para seu desejo de tocar no Free Jazz Festival ou no barzinho mais “out” de sua cidade.

Ensaie com o povo antes da missa. Ensine os cânticos novos e motive-os a rezar com eles.

Algumas fórmulas da missa, como o “Cordeiro de Deus”, não podem ser modificados. Estude liturgia! Em liturgia não dá para improvisar.

Não queira ser um ministro de música “garçom”, que apenas serve aos outros o banquete. Participe ativamente de cada momento da celebração, sente-se à mesa. Você também é um “feliz convidado para a ceia do Senhor”.

Se você é animador de música na liturgia, não multiplique as palavras. Não queira fazer uma homilia a cada música, nem queira roubar o papel do comentarista.

Luiz Carvalho - Com. Recado
Fonte:
cancaonova.com

Comentários  

 
#29 LUCIANO BAYER 02-08-2015 01:15
Boa noite (ou, bom dia)!

Luiz, há um bom tempo que já recebi as lições que você, com grande objetividade, expôs neste artigo.

Fico triste ao ver comentários que confrontam aquilo que não sua ou minha opinião, mas resultado, simplesmente, da mais importante reunião dos Bispos do Mundo: o Concílio, no caso, o Vaticano II, que está vigente.

Vi alguém dizer que sentiu necessidade de trazer cantos novos para as Missas, o que é um grande engano, para ser respeitoso. A Igreja tem um repertório riquíssimo e não há, em hipótese alguma, qualquer necessidade de inovar. Basta cantar a liturgia tal qual a Igreja a concebeu e nada mais é preciso.

Segunda voz, falsete e outros recursos vocais não são benéficos para a música litúrgica. É preciso envolver a assembleia. O canto é uma resposta desta, no bolo da celebração Eucarística. Pessoas com pouca técnica vocal podem sentir dificuldade quando naipes diferentes são aplicados por grupos de cantos.

O canto sem acompanhamento instrumental, muitas vezes, ao contrário do que disse a mesma pessoa, é riquíssimo e responde à proposta litúrgica. Não há nada mais bonito do que um canto à capela bem executado.

Os instrumentos devem ser utilizados para dar sustentação ao canto, não para exposição de virtuosismo.

Por favor, continue com este trabalho litúrgico-pedag ógico para corrigir orientações mal compreendidas.

A Liturgia é linda do jeito que está sendo celebrada. Não precisamos buscar referências externas.

A juventude, se bem catequizada, saberá compreender a riqueza da celebração litúrgica, bem como, aprenderá que outras celebrações são possíveis, sem rito definido, como encontros e retiros.

Temos que tomar muito cuidado para não trazermos para a liturgia concepções paralitúrgicas, que empolgam porque seus conteúdos comovem a atraem pessoas. Não é esse o objetivo. É a celebração da vida, da vitória da vida sobre a morte que o Senhor nos oferece e que devemos nos sentir tocados.Missa não deve ser considerada "bonita" porque os cantos são alegres, porque o padre é "diferente". Missa é Missa e nada mais sequer pode ser agregado.

Um grande abraço!
 
 
#28 maria tereza amancio 30-07-2015 11:54
gostei dos comentarios mas esta tão dificil conseguir pessoas que queria comprometer´se com a musica dentro da igreja pois aqui na minha paroquia tbm estamos com dificuldades para que mais pessoas participam até ajudam a cantar mas o compromisso ta dificil
 
 
#27 Otávio Aguiar 22-06-2015 13:47
As palavras foram muito bem colocadas e têm uma relevância e importância enormes para uma boa celebração da Eucaristia. E principalmente, é necessário que os ministros de música estudem mais a Liturgia. O importante não é uma execução magistral, mas sim, tocar os corações dos fiéis nas celebrações. E, por favor, a missa não é um evento para autopromoção. Estamos lá para servir e não para "darmos um show".
 
 
#26 Douglas Maicon 17-03-2015 12:46
Feliz comentário, temos que perceber que os hinos que a igreja nos propõe para a liturgia são insubstituíveis , não há mais lindos. Que possamos canta-los com toda fé, amor mas também respeito.
Paz e bem...
 
 
#25 giselle santana 14-07-2014 11:55
cordo com vc bruce pois realmente temos que inovar e se renovar para louvar ao senhor inclisive la na minha paroquia temos muitas dificuldades com o canto pois estamos precisando muito de pessoas pra tocar nas missas.
 
 
#24 karlla kelly 09-07-2014 17:34
adorei tudo tudo isso eh muito bom
 
 
#23 Bruce 20-05-2014 09:46
Concordo em parte, com o enunciado acima. Mas devo também concordar com o "Guest". Faço música, há um tempo considerável, e durante muito tempo também passei a perceber que havia a necessidade de trazer cantos novos as missas, além de fazer com que elas passassem a ser mais animadas, pois acredito que louvar a Deus, não necessariamente precisa ser algo monótono, onde os cantos (muitas vezes sem instrumentos) ficam praticamente sem vida. Então, sempre procurei levar pelo menos um canto diferente (meu) e cantar os cantos conhecidos com mais animação, fazendo uma segunda voz ou um falsete, para deixar o canto mais animado e mais eficaz em sua mensagem, pois a acredito que a música é sim uma forma de evangelização. Ela te leva a meditar melhor e orar com mais fervor a Deus. E também precisamos realmente trazer a juventude para a igreja, pois já presenciei muito disso, ou seja, perdemos jovens que queriam fazer algo novo (louvando a Deus), mas alguns paradigmas trazidos por pessoas que se deixam levar pela mesmice, de que tem que ser assim e pronto. Eu sou prova viva disso. Pois, mesmo depois de 20 anos de grupo de jovens, ouvi alguém falar que a juventude ia para as missas só para atrapalharem. Foi por isso, que fiquei afastado da igreja por muito tempo. Mas agora, estou de volta. Participo do coral e estou começando novamente a entrar em um grupo de canto e fazer o que gostava, que era também cantar em datas comemorativas, como o dia das mães, dia dos pais, enfim. Mas certamente, precisa ter ensaio, para que ninguém fique perdido, pois o que não gosto é fazer tudo em cima da hora. Os músicos e cantores, são também parte importante de evangelização na igreja. E não é preciso ninguém se vangloriar disso, ou subir em um pedestal. A humildade deve ser uma premissa, mas a vontade de querer contribuir para trazer mais fieis as missas, através dos cantos, deve ser sim evidenciada e abraçada pela própria igreja.
 
 
#22 marcelino 25-03-2014 09:04
Bom Dia !! Paz e bem, faço parte de um ministerio de musica, acredito que sou criticado por causa dessas observações,poi s não aceito tocar de qualquer jeito , na missa, sem ensaio,sem postura etc,dai quando e dia de missas solenes se acham os icones ,o centro das atenções,como se estivessem em um shou ,essas orientações forão muito uteis pra mim,e as passarei adiante ,valeu um abraço a todos .
 
 
#21 NEY ROBSON 06-03-2014 14:56
muito bem observado, conheço muita gente que se sente o centro das atenções.
 
 
#20 Fabio L 14-02-2014 10:38
Olá! Eu fiz uma coletânea de hinos litúrgicos para ajudar muitas equipes de cantos. O link está abaixo, se puder ajudar a divulgar:
http://somemharmonia.blogspot.com/2014/02/cantai-ao-senhor-hinos-liturgicos.html
Novos arquivos são adicionados ao decorrer das semanas. Quem quiser contribuir, entre em contato comigo pelo blog. Obrigado! =)
 

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